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20/04/2005 14:14
Dois coelhos. Um só tiro!
Dia dos índios, eleição do novo Papa.
Dois modos de vida completamente opostos...
Afinal, quando é que vamos aprender?
"Eles vieram com uma Bíblia e sua religião roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito... e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao "Senhor" por sermos salvos".
(Chefe Pontiac, Chefe Indígena Americano).
Carta escrita pelo cacique Seattle, da tribo Duwamish, do Estado de Washington, ao presidente Franklin Pierce, dos Estados Unidos, em 1855, depois de o governo norte-americano ter dado a entender que desejava adquirir o território da tribo. Existem várias versões, pois o suposto texto original foi modificado para a cultura branca.
"O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e sua benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Porém, vamos pensar em tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos o homem branco virá com armas e tomará nossa terra".
"O Grande Chefe em Washington pode confiar no que o chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que os nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas. Elas não empalidecem".
"Como podes comprar ou vender o céu - o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós?"
"Decidimos apenas sobre o nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada uma folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo".
"Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de exauri-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo do seu pai, sem remorsos de consciência. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita. Esquece as sepulturas dos antepassados e os direitos dos filhos".
"Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. A vista de tuas cidades é um tormento para os olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite?"
"Um indígena prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar - animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro. Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição".
"O homem branco deve tratar os animais como se fossem irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco, que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, indígenas, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais?"
"Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra. Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, e envenenam o corpo com alimentos doces e bebidas ardentes".
"Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mas algumas horas, até mesmo uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques, sobrará para chorar sobre os túmulos. Um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso".
"De uma coisa sabemos que o homem branco talvez venha um dia a descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julgas, talvez, que O podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra. Mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira. E quer o bem igualmente ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. E causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador".
"O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua poluindo a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado nos teus próprios dejetos! Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosas federem à gente - onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinhas da torre, à caça do fim da vida e o começo da luta para sobreviver..."
"Talvez compreenderíamos se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho".
"Se consentirmos, é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe".
"Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder, e todo o teu coração conserva-a para teus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum".
Uma velha Wintu religiosa fala com tristeza da destruição brutal e desnecessária de sua terra pelos brancos...
"O homem branco jamais se preocupou com a terra, nem com o veado, nem com o urso. Quando nós, índios, matamos um animal, comemos ele todo. Quando queremos arrancar uma raiz, fazemos pequenos buracos no chão. Quando construímos casas, também fazemos pequenos buracos. Quando queimamos a erva contra os gafanhotos, não arruinamos tudo. Recolhemos as bolotas e as pinhas. Não derrubamos árvores. Usamos apenas madeira morta. Mas os brancos reviram a terra, arrancam as árvores, matam tudo. A árvore diz Não! Eu sou sensível. Não me fira. Mas eles a derrubam e a cortam em pedaços. O espírito da terra os odeia. Eles destroem as árvores e as puxam pelas entranhas. Eles serram as árvores. Isto as fere. Os índios nunca ferem nada, enquanto os brancos destroem tudo. Explodem rochas e as espalham pelo chão. A pedra diz Não! Você está me ferindo. Mas o branco não presta atenção. Quando os índios usam pedras, escolhem as menores e arredondadas que servem para a cozinha. Como é que o espírito da terra pode gostar do homem branco? Onde o branco põe a mão há sofrimento".
Hehaka Sapa, ou Alce Negro, chefe e místico Sioux Oglala explica-nos a importância e o simbolismo do círculo para o índio...
"Vocês já perceberam que tudo o que um índio faz está dentro de um círculo, isto porque o Poder do Mundo trabalha sempre em círculos e as coisas todas tentam ser redondas. Nos velhos dias, quando ainda éramos um povo forte e feliz, o nosso poder provinha do anel sagrado da nação, e enquanto este anel manteve-se intacto o povo floresceu. A árvore florida era o centro vivo do anel e o círculo dos quatro quadrantes a alimentava. O leste trazia a paz e a luz; o sul, o calor; o oeste, a chuva; e o norte, com seu vento rijo e frio, trazia a força e a paciência. Este conhecimento foi a religião que nos trouxe do mundo exterior. Tudo o que o Poder do Mundo faz é feito em círculo. O céu e redondo e ouvi dizer que a terra é redonda como a bola, e as estrelas também. O vento, no seu máximo poder, rodopia. Os pássaros constroem ninhos em círculos, pois a religião deles é igual à nossa. O sol vem e vai num círculo, como a lua, e ambos são redondos".
"Mesmo as estações formam um grande círculo em suas mudanças, voltando sempre ao ponto em que estiveram. A vida de um homem é um círculo de infância a infância, e assim em tudo o que o poder move. Nossas tendas eram redondas como os ninhos dos pássaros e dispostas em círculo, o anel da nação, um ninho de muitos ninhos que o Grande Espírito nos deu para gerar nossos filhos."
Um chefe índio Gaspesian (atualmente Micmac), no ano de 1676, dirige-se a um grupo de capitães franceses na Nova Escócia, rebatendo suas afirmações sobre a superioridade da civilização francesa...
"Quero que todos saibam que não estou disposto a vender parte alguma de minha terra, nem quero os brancos cortando nossas árvores ao longo dos rios, sobretudo o carvalho. Tenho uma predileção especial pelos pequenos bosques de carvalhos. Gosto de olhar para eles, porque suportam as tempestades de inverno e os calores do verão, e - da mesma forma que nós - parecem florescer por causa disso".
Tatanka Yotanka, ou Touro Sentado, guerreiro Sioux.
"Vocês nos censuram injustamente, alegando que nosso país é um pequeno inferno na terra em contraste com a França, um paraíso terrestre, já que possui, como dizem, todo tipo de provisão em abundância. Também afirmam que somos os mais miseráveis e infelizes dos homens, vivendo sem religião, sem educação, sem honra, sem ordem social, numa palavra, sem regras, como os animais dos bosques e florestas, privados de pão, vinho e uma infinidade de outros confortos que são comuns na Europa. Bem, irmãos, se ainda não sabem o que os índios realmente pensam do vosso país e das vossas nações, eu vou dizer agora".
"Peço que acreditem, por mais que pareçamos miseráveis aos olhos de vocês que nos julgamos muito mais felizes, porque nos contentamos com o pouco que temos. Vocês se decepcionarão enormemente se pensam em nos convencer de que vosso país é melhor do que o nosso. Se a França fosse um paraíso terrestre como estão dizendo, seria sensato deixá-la? Por que abandonariam mulheres, filhos, parentes e amigos ? Por que arriscariam a vida e as propriedades? E por que se entregariam, com todos esses perigos, às tempestades e tormentas no mar, a fim de chegar a uma terra estranha e bárbara que consideram a mais pobre e menos afortunada do mundo?
"Quanto á nós, que estamos convencidos do contrário, dificilmente iríamos à França, pois temos boas razões para acreditar que lá encontraríamos pouca satisfação, visto que os próprios franceses a abandonam para vir enriquecer em nossas praias. Além disso, acreditamos que vocês são incomparavelmente mais pobres do que nós, e não passam de simples operários, criados, servos e escravos, ainda que aparentem ser grandes senhores e capitães, pois vemos que se glorificam em nossos velhos trapos, vestindo as miseráveis peles de castor que já nem mais usamos, da mesma forma que vêm pescar conosco o bacalhau para encontrar o sustento e o conforto à miséria e à pobreza que os oprime".
"Nós, em contrapartida, encontramos todas as riquezas e comodidades entre nós mesmos, sem confusão, sem expor nossas vidas aos perigos que enfrentam constantemente em suas longas viagens. E se, de um lado, nos compadecemos de vocês na doçura de nosso repouso, de outro ficamos espantados com as atribulações que passam, dia e noite, a fim de carregar seus navios. Percebemos que vocês vivem, de um modo geral, apenas do bacalhau que pescam. Eternamente bacalhau de manhã, ao meio-dia, à noite, sempre bacalhau. A tal ponto que, se querem comer algo melhor, é às nossas custas. Pois vocês são obrigados a recorrer aos índios, que tanto desprezam, e a acompanhá-los nas caçadas, das quais tiram proveito. Agora me digam apenas isto, se ainda possuem bom senso: qual dos dois é o mais sábio e o mais feliz? O que trabalha sem cessar e só consegue, com muito esforço, o bastante para sobreviver, ou aquele que descansa na tranqüilidade e tem tudo o que precisa no prazer da caça e dá pesca?"
"É verdade que jamais fabricamos o pão e o vinho que a vossa França produz. Antes, porém, da chegada dos franceses a está terra, não viviam os Gaspesian muito mais do que agora? Se já não temos nenhum daqueles velhos de 130 a 140 anos é porque vamos adotando aos poucos vossa maneira de viver. A experiência mostra que os mais longevos dentre nós são aqueles que dispensam o pão, o vinho e a aguardente de vocês, contentando-se com a alimentação natural de castor, veado, ave aquática e peixe, conforme os costumes dos nossos ancestrais e de toda a nação Gaspesian. Saibam, portanto, de uma vez por todas; quero abrir meu coração a vocês, irmãos: não há um índio sequer que não se considere infinitamente mais feliz e mais saudável que os franceses."
Adario, chefe Huron no século XVII, era também conhecido por Kondiaronk (seu nome índio) e O Rato (como lhe chamavam os franceses). Possui a grande reputação de bravura e sagacidade, e teve participação destacada na Guerra do Frontenac (1689 - 1697) - uma série de conflitos entre franceses e ingleses, e entre os franceses com seus aliados índios e os Iroqueses. Sua habilidade diplomática e em confederar as tribos fez dele um aclamado pacificador. Morreu em Montreal durante uma importante conferência de paz em 1701. Adario viajou muito:
"Estive na França, em Nova Yorque e em Quebec, disse ele, estudando os costumes e as doutrinas dos ingleses e franceses. O seguinte discurso foi feito por Adario diante do barão de Lahontan, um explorador francês, e do governador da colônia francesa de Placentia, na Terra Nova, Canadá. Lahontan havia acabado de dizer a Adario que, sem punir os maus e premiar os bons, o crime se espalharia por toda aparte e o homem branco em breve se tornaria o povo mais miserável da terra. Adario responde, dizendo como vê as leis do homem branco."
"Não, vocês já são bastante miseráveis, não vejo como possam se tornar ainda mais. Que espécie de homens são os europeus? Que espécie de valores cultivam? Os europeus, forçados a fazer o Bem e não podendo evitar o Mal a não ser pelo medo da Punição... Se lhe perguntasse o que é um homem, você me responderia: "É um francês". No entanto posso provar que seu Homem é muito mais um Castor. Porque o Homem não merece este nome por saber andar sobre duas pernas, ou por saber ler e escrever, ou por exibir mil outros sinais de sua inteligência..."
"Quem lhes deu as terras que agora habitam? Com que direito as possuem? Elas sempre foram dos Algonkin. Na verdade, meu irmão, sinto pena de você do fundo de minha alma. Ouça o meu conselho e torne-se um Huron. Pois vejo uma enorme diferença entre sua condição e a minha. Eu sou senhor do meu próprio corpo, disponho absolutamente de mim mesmo, faço o que eu quero, sou o conjunto da minha nação, não temo nenhum homem e só dependo do Grande Espírito. Enquanto que o seu corpo, como a sua alma, estão condenados à dependência dos seus superiores, às ordens do vice-rei. Você não tem a liberdade de fazer o que pensa, tem medo de ladrões, assassinos, falsas testemunhas, etc., e depende de uma. infinidade de pessoas que estão acima de você. E verdade ou não é?"
Chefe Curly, um índio Pawnee, relata um dos primeiros contatos entre seu povo e os europeus, entre 1800 e 1820.
"Ouvi dizer que houve um tempo, há muito tempo, em que só havia índios nesta terra. Depois se ouviu falar de homens que tinham a pele branca; haviam sido avistados a leste. Antes de eu nascer, vieram à nossa terra e nos visitaram. O homem que veio era do governo. Queria fazer um tratado conosco e nos trouxe presentes, cobertores, espingardas, pederneiras, ferro e facas."
"Nosso chefe disse a ele que não precisávamos de nenhuma daquelas coisas. "Temos o búfalo e o milho, que o Soberano nos deu, e é tudo o que precisamos. Veja esta roupa: ela me aquece no inverno. Não preciso de cobertor", ele falou."
"O homem branco trazia consigo algumas reses e o chefe Pawnee disse: Solte um novilho aqui no campo! Quando a rês foi solta, o chefe disparou uma flecha que a atingiu no quarto dianteiro, matandoa. "Viu como a flecha mata?" - Disse o chefe: "Não preciso de suas espingardas. Em seguida pegou uma faca de pedra e esfolou o animal, cortando um naco de carne gorda. Ao fazer isso, disse: "Por que usar suas facas? O Soberano deu-me com que cortar.
"Tomando enfim as madeiras de acender fogo, fez uma fogueira para assar a carne e, enquanto ela cozinhava, falou: "Você está vendo, meu irmão, que o Soberano nos deu tudo o que precisamos para obter a carne ou cultivar a terra. Agora volte ao lugar de onde veio. Não queremos seus presentes e também não o queremos aqui".
O chefe de um dos principais grupos de índios Pés-Pretos rejeita os valores monetários do homem branco, respondendo aos delegados norteamericanos que lhe pedem para assinar um dos primeiros contratos de venda de terra na região de Milk River, perto da fronteira norte-noroeste de Montana.
"Nossa terra vale mais do que seu dinheiro. Ela irá durar para sempre. Nem mesmo as chamas do fogo poderão destruí-la. Enquanto o sol brilhar e as águas correrem, ela continuará aqui dando vida aos homens e aos animais. Não podemos vender as vidas dos homens e dos animais; portanto, não podemos vender essa terra. Foi o Grande Espírito que a destinou para nós e não podemos vendê-la porque não nos pertence. Vocês podem contar seu dinheiro - e guardá-lo no chifre de um búfalo, mas só o grande Espírito pode contar os grãos de areia e as folhas de grama desta planície. Nós daremos de presente o que quiserem. Mas a terra, jamais".
A orgulhosa tribo dos Nez Percé (Nariz Furado) era chefiada por um homem notável chamado Hin-mah-too yah-lat-kekht, ou Trovão-das-Alturas-Sublimes-da-Montanha, ou apenas Chefe Joseph, referido anteriormente numa passagem em que descreve a morte do pai. Seu amor pela terra natal era inesgotável, e Chefe Joseph perseverava no esforço de permanecer nos vales e montanhas em que havia nascido. Neste trecho ele deixa claro (como costumava fazer) seus sentimentos com relação à propriedade da terra.
"A terra foi criada com o auxílio do sol e deveria ser deixada como está... O campo foi feito sem linhas de demarcação e não compete ao homem demarcá-lo... Vejo os brancos por toda a parte buscando riquezas, e vejo que querem nos dar terras sem valor... A terra e eu somos uma coisa só. A medida da terra e a medida de nossos corpos é á mesma".
"Digam-nos, se puderem, que o Poder Criador os enviou para falar conosco. Vocês talvez pensem que foram enviados para fazer de nós o que bem entenderem. Se eu achasse que foi o Criador quem os mandou, consentiria que vocês têm direitos sobre mim. Não interpretem mal meu sentimento de amor à terra. Eu nunca disse que a terra era minha para fazer com ela o que eu quisesse. O único com direito a dispor da terra e aquele que a criou. O que exijo é o direito de viver em minha terra e lhes concedo o privilégio de viverem na de vocês".
Smohalla, fundador da religião do sonhador, nasceu entre 1815 e 1820 e pertencia aos Sokulk, pequena tribo dos Nez Percé que vivia em Priest Rapids, margem oriental do rio Columbia, no Estado de Washington Smohalla destacou-se como guerreiro, começando a seguir a pregar a "religião do sonhador".
O Chefe Joseph dos Nez Percé, adepto da sua "religião do sonhador" propunha e preconizava um retorno às concepções nativas, particularmente as da Terra-Mãe benigna, os sonhos sendo a única fonte de poder sobrenatural. O texto a seguir mostra alguns aspectos da doutrina, que atraiu muitos adeptos, entre os jovens:
"Meus jovens não devem trabalhar. Os homens que trabalham não podem sonhar, e a sabedoria nos vem através dos sonhos".
"Vocês me pedem para lavrar a terra. Devo então pegar uma faca e enterrá-la no peito de minha mãe? Assim, quando eu morrer, não poderei entrar em seu seio para descansar".
"Vocês me pedem para cavar à procura de pedras. Devo então rasgar-lhe a pele para arrancar seus ossos? Assim, quando eu morrer, não poderei entrar em seu corpo para nascer de novo".
"Vocês me pedem para cortar o capim, fazer o feno, vendê-lo e ficar rico como o homem branco. Mas como posso cortar os cabelos de minha mãe?"
Mas afinal de contas, quem é que é o "civilizado" aqui???
enviada por Sabbag
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